Guarda e Alimentos

Como é Calculada a Pensão Alimentícia no Brasil? Critérios, Valores e O Que a Lei Diz

✍ Denise D. Viana Bohnenberger — OAB/RS 131.222 📅 Agosto de 2026 ⏱ Leitura: 8 min
Advogada de família em Porto Alegre orientando sobre pensão alimentícia — Denise Viana OAB/RS 131.222

A pensão alimentícia é um dos pontos que mais gera conflito nos processos de separação — e também um dos que mais afeta o dia a dia das famílias depois que o divórcio é concluído. Saber como ela é calculada, quem tem direito e quando pode ser revisada é fundamental para quem está passando por esse momento.

Neste artigo, explico os critérios legais que definem o valor da pensão, as formas de pagamento mais comuns e o que acontece quando ela não é cumprida.

O que a lei diz sobre o cálculo da pensão alimentícia?

O Código Civil brasileiro estabelece que os alimentos devem ser fixados com base no binômio necessidade-possibilidade: de um lado, as necessidades de quem recebe; do outro, a capacidade financeira de quem paga. O equilíbrio entre esses dois fatores é o que orienta o juiz — ou o acordo entre as partes — na definição do valor.

Não existe uma fórmula matemática fixa. O que existe são parâmetros que o juiz considera ao fixar os alimentos:

  • Necessidades do beneficiário: despesas com moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, lazer e outras necessidades básicas.
  • Capacidade do alimentante: renda comprovada, patrimônio, padrão de vida, outras obrigações financeiras.
  • Proporcionalidade: o valor deve ser justo para ambos — nem insuficiente para quem recebe, nem abusivo para quem paga.

Quais são as formas mais comuns de fixação?

Percentual sobre o salário

Para trabalhadores com renda formal e estável, é comum que a pensão seja fixada como um percentual do salário líquido — isto é, o salário já descontados INSS e IR. Os percentuais variam muito conforme o número de filhos, a renda do alimentante e o padrão de vida da família, mas em geral ficam entre 25% e 33% por filho para quem tem renda média.

Esse modelo tem a vantagem de se ajustar automaticamente às variações de renda — se o salário aumenta, a pensão aumenta proporcionalmente.

Valor fixo

Para autônomos, empresários ou profissionais com renda variável, muitas vezes se opta por um valor fixo em reais, com cláusula de correção anual pelo INPC ou IGPM. Esse modelo oferece previsibilidade para quem recebe, mas pode se tornar desproporcional ao longo do tempo se a renda do alimentante variar muito.

Misto

Em alguns casos, o juiz fixa uma parte em percentual sobre o salário e outra parte em valor fixo — especialmente quando há despesas específicas a cobrir, como mensalidade escolar ou plano de saúde.

Atenção: a pensão não precisa cobrir apenas as necessidades básicas. Em famílias de classe média e alta, ela deve refletir o padrão de vida que o filho tinha durante o casamento — incluindo atividades extracurriculares, plano de saúde, viagens e outros itens habituais.
Cálculo de pensão alimentícia — advogada de família Denise Viana Viamão RS

Quem tem direito à pensão alimentícia?

A pensão pode ser devida a diferentes pessoas, dependendo da situação:

  • Filhos menores: têm direito irrestrito até os 18 anos, independentemente do relacionamento entre os pais.
  • Filhos maiores: podem pedir a continuidade da pensão se ainda cursam ensino superior ou técnico, comprovando dependência econômica.
  • Cônjuge ou companheiro: pode pleitear alimentos quando não tem condições de se sustentar após o divórcio — especialmente em casos de casamentos longos, dedicação exclusiva ao lar ou limitações para trabalhar.
  • Outros parentes: em algumas situações, avós podem ser chamados a contribuir com alimentos para netos, ou pais adultos podem pedir alimentos a filhos.

Até quando a pensão deve ser paga?

Para filhos, a regra geral é até os 18 anos. Mas há exceções importantes:

  • O filho maior que ainda cursa ensino superior pode pedir a continuidade da pensão, normalmente até os 24 anos.
  • O filho com deficiência que não tem condições de se sustentar pode ter direito a alimentos por tempo indeterminado.
  • A pensão ao ex-cônjuge ou companheiro pode ser por prazo determinado ou indeterminado, conforme o caso.

É possível aumentar ou reduzir a pensão?

Sim. A pensão alimentícia pode ser revista a qualquer momento quando houver mudança nas circunstâncias que fundamentaram o valor original — o que é chamado de ação de revisão de alimentos.

Situações que podem justificar a revisão:

  • Aumento ou redução da renda do alimentante
  • Mudança nas necessidades do beneficiário (novas despesas com saúde, escola, etc.)
  • O beneficiário passa a trabalhar e adquire independência econômica
  • O alimentante perde o emprego ou enfrenta dificuldades financeiras graves
  • O filho atinge a maioridade e o alimentante não concorda com a continuidade

O que acontece quando a pensão não é paga?

O não pagamento da pensão alimentícia é tratado com seriedade pela lei brasileira. As consequências para quem deixa de pagar incluem:

  • Prisão civil: o devedor de alimentos pode ser preso de 1 a 3 meses, em regime fechado, até que quite os valores em atraso.
  • Desconto em folha: o juiz pode determinar desconto direto no salário do devedor.
  • Bloqueio de bens: contas bancárias e outros bens podem ser bloqueados para garantir o pagamento.
  • Protesto e negativação: o devedor pode ter o nome inscrito em cadastros de inadimplentes.

Se você está enfrentando inadimplência na pensão, a orientação de uma advogada é fundamental para agir rapidamente e proteger seus direitos e os dos seus filhos.

Como pedir a pensão alimentícia?

O pedido pode ser feito:

  • No âmbito do divórcio: quando a pensão é definida como parte do processo de separação, por acordo ou decisão judicial.
  • Em ação autônoma: quando os pais nunca foram casados, ou quando a pensão não foi definida no divórcio, ou quando é necessário rever o valor já fixado.

Em ambos os casos, é possível pedir alimentos provisórios — um valor fixado pelo juiz logo no início do processo, enquanto o caso é analisado, para que o filho não fique desassistido durante a tramitação.

Leia também: como funciona a guarda compartilhada e como funciona o divórcio em 2026.

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Perguntas frequentes sobre pensão alimentícia

A pensão alimentícia é sempre um percentual do salário?
Não. O valor pode ser em percentual do salário líquido ou em valor fixo. Para trabalhadores formais, o percentual é mais comum. Para autônomos, muitas vezes se usa valor fixo com correção anual.
Até quando a pensão alimentícia deve ser paga?
A regra geral é até os 18 anos. Mas o filho maior pode pedir a continuidade se ainda cursa ensino superior ou técnico. O filho com deficiência pode ter direito por tempo indeterminado.
O que acontece quando a pensão não é paga?
O não pagamento pode resultar em prisão civil do devedor, desconto direto em folha de pagamento, bloqueio de bens e inscrição em cadastros de inadimplentes.
Posso pedir pensão se nunca fui casada com o pai do meu filho?
Sim. O direito à pensão alimentícia não depende de casamento ou união estável — basta a filiação comprovada. A pensão é um direito do filho, não do cônjuge.